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Memórias Soltas de Prof        
(Quando o presente deixa espaço para memórias)                            

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009
Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Carlos Drummond de Andrade

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Quarta-feira, Dezembro 30, 2009
Importante não Esquecer!
Importante que essas memórias sejam transmitidas às novas gerações!



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Flores em espirais

Clic para o projecto









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Domingo, Dezembro 27, 2009
Minha prenda de Natal para mim própria
A menos de duas semanas do Natal, descobri na WOOK um livro que procurava há algum tempo: uma colectânia de poesia portuguesa que fosse bastante completa. E eis que vejo esta Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, prefaciada por Vasco Graça Moura.
Ao fim de quatro dias tinha-a em casa, mas guardei-a sem abrir para pôr junto da minha árvore de Natal, pois uma pessoa tem o direito de oferecer também uma prenda a si própria!
São 2095 páginas, mais um índice alfabético de autores e um extenso índice geral por ordem cronológica dos mesmos.

Comecei por procurar Eugénio de Andrade (54 poemas).


No prato da balança um verso basta
para pesar no outro a minha vida.

(Ofício da Paciência, 1994)


Também já contei os poemas de Fernando Pessoa e Heterónimos (cerca de 130) e os da Sophia (31).

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Quarta-feira, Dezembro 23, 2009
Bom Natal e Feliz Ano Novo!
Para todos os amigos e colegas que aqui passem (e também para os que aqui não passarem)

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A minha árvore cor-de-rosa

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Domingo, Dezembro 20, 2009
DESTAQUE
Não deixem de ouvir esta Conversa com Professores do JMA - conversa com professores à boa maneira de Rubem Alves ;)
(Às vezes o vídeo demora um bocadinho a abrir, é questão de minimizarem e continuarem a trabalhar por um minutinho)

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Sábado, Dezembro 19, 2009
Hallelujah
(Jeff Buckley - sugestão "roubada" a Existente Instante)

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Sexta-feira, Dezembro 18, 2009
Só os MEDROSOS aceitam cometer injustiças
Não resisto a umas breves palavras, pois acabo de saber que a 3za, do Tempo de Teia, de cujo extraordinário trabalho com os alunos não preciso de falar pois bem o conhecemos e admiramos, e que, aliás, defendeu a sua tese de mestrado muito recentemente tendo a classificação excepcional de Excelente... a 3za, dizia, foi avaliada na sua escola com um Bom!!!
Sem comentários... o meu comentário já está no título deste post.

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Terça-feira, Dezembro 15, 2009
Feliz Natal!

Scratch Project

Clicar e ligar o som

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Sábado, Dezembro 12, 2009
Red Carnatiom in Portugal-Cravo de Abril
Embora muito simples e sem recursos matemáticos para obter efeitos mais bonitos, pois foi feito nesta tarde dado que há afazeres da época natalícia que tenho atrasados, gosto de o ter feito e publicado no site internacional MIT EDU (também no nosso Sapo Scratch) para que scratchers ou apenas visitantes conheçam algo do nosso Portugal (através das notas laterais ao projecto).

(Ter sido visto e comentado quase logo após a publicação por um dos mais conhecidos scratchers do MIT no domínio da aplicação da Matemática à Arte foi o estímulo deste sábado para a pouco mais do que principiante que eu sou)


Scratch Project

Clicar na imagem para ver o projecto correr e ligar o som

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Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
Mas houve muito tempo...

A Batalha de Natal


— Só mais seis dias — disse Neli.
Enquanto a filha tentava assobiar Noite Feliz, a mãe repetiu, pensativa, numa voz que não soava alegre:
— Ainda seis dias.
Após uma curta pausa, prosseguiu, suspirando:
— Se tudo já tivesse passado!
Com o assobio suspenso no ar, Neli olhou para a mãe com ar estupefacto:
— Não estás contente?
— Claro que sim, mas já estou pelos cabelos com esta agitação toda!
Como Neli não tinha aulas à tarde, foi patinar com uma amiga. Ao cair da noite, dirigiu-se ao supermercado onde a mãe trabalhava. Havia tanto movimento que o lugar mais parecia uma colmeia. A mãe estava sentada numa cadeira giratória, diante de uma das seis caixas registadoras. Os produtos chegavam-lhe num tapete rolante. Enquanto a mão direita marcava os números no teclado, a mão esquerda rodava as embalagens para que a máquina pudesse ler os códigos. Finda a operação, os produtos eram colocados, um a um, no carrinho de compras. Quando acabava de marcar tudo, a mão direita carregava na tecla do total e rasgava o talão, enquanto a esquerda afastava o carro cheio e puxava o próximo, vazio, para junto dela.
— Que bem fazes isso — dissera-lhe Neli uma vez. — Eu faria tudo devagar e, ainda por cima, metade saía mal.
— Ora — dissera a mãe a rir. — É uma questão de treino. Quando comecei, também não era assim tão despachada. Não encontrava a etiqueta com o preço e, muitas vezes, carregava nas teclas erradas. Como tinham de esperar, as pessoas resmungavam. Agora já quase consigo fazer isto automaticamente.
— Como um robô! — Neli riu-se.
E se tivesse um robô como mãe? Nunca teria dores de cabeça, nem à noite estaria tão cansada. Mas um robô não tem coração e, por isso, Neli preferia a mãe tal como era, mesmo quando, em certas noites, quase nem conseguia falar de tão cansada!
Só mais quatro dias.
Só mais três.
As filas nas caixas eram cada vez mais longas. As pessoas abasteciam-se de comida como se o Natal durasse meio ano. Com um ruído sibilante, as portas automáticas abriam e fechavam, abriam e fechavam. A mãe sentia nas costas a corrente de ar e os cartões pendurados no tecto balançavam de um lado para o outro.
Um sino de Natal, por cima da cabeça da mãe, tinha escrito a vermelho: PROMOÇÃO: Bombons, 250 gr, a preço especial.
Perto dele balançava um anjo de papel com uma faixa nas mãos, como nas igrejas, mas onde não estava escrito Paz na terra aos homens de boa vontade, mas sim Fiambre para o Natal a 15,80€/kg.
Os altifalantes debitavam música de Natal:
Noite feliz…
Cabeça de anho
Noite feliz…
Descafeinado
Papel higiénico de três folhas
O Senhor…
Lenços com monograma
Mostarda
Nasceu em Belém…
A mãe suspirava e, com um movimento rápido, limpava o suor do lábio com as costas da mão. Os clientes, impacientes, esperavam, apoiando-se ora numa, ora na outra perna. De olhar ausente, nem olhavam para a senhora da caixa, pensando apenas no regresso a casa com os sacos pesados e o eléctrico cheio.
Ufa!
Só mais três dias, e acabaria tudo.
— Vou fazer um jantar como o do ano passado — disse a mãe, à noite, virando-se para Neli. — Patê em folhas de alface, porco assado, batatas fritas, feijão e, para sobremesa, creme de chocolate de lata com peras.
No dia 24 de Dezembro, a loja só estava aberta até às quatro horas da tarde. Em seguida, os empregados podiam comprar, com um desconto de 15%, os produtos que tinham sobrado. A mãe de Neli achava que valia a pena e, por isso, tinha guardado as compras maiores para essa altura: uma pasta escolar para Neli, uma boneca, lápis de cor, um anoraque para o pai, e a comida para a ceia de Natal.
Na sala do pessoal, houve um lanche para todos os empregados.
— A batalha de Natal foi mais uma vez vencida — alegrou-se o chefe do pessoal, que proferiu mais umas palavras elogiosas.
Depois foram servidos pãezinhos com fiambre e um copo de vinho a cada um.
Após o lanche, a mãe de Neli deixou ficar os gordos sacos de compras esquecidos na sala do pessoal. Só reparou quando já estava na paragem do autocarro. “As minhas prendas! Todas aquelas coisas boas para a ceia!”, pensou assustada.
Mas a loja já estava fechada e, antes do dia 27, não voltava a abrir. Chegou a casa de mãos vazias.
Nessa noite, apesar de tudo, festejaram o Natal. O pai acendeu as velas da árvore de Natal e Neli recitou um poema. Só se lembrou das duas primeiras estrofes e depois encravou, mas a mãe achou-o muito bonito e o pai nem reparou que ainda continuava. O jantar foi mais curto do que o planeado. Por sorte, a mãe já tinha comprado o assado e havia batatas em casa, mas não houve entrada nem sobremesa. Trincaram nozes e comeram maçãs.
— Assim, não fico com o estômago tão pesado como no ano passado — disse o pai. — Comidas pesadas não me caem bem.
Também não havia muito que desembrulhar.
Por isso, sobrou tempo. Muito tempo.
Neli foi buscar o jogo “Memory” que recebera no Natal anterior. Durante o ano inteiro, esperara, em vão, todos os domingos, que alguém tivesse tempo para jogar com ela.
Agora, os pais tinham tempo.
O pai nunca tinha jogado “Memory”. Ao fim de algum tempo, Neli já tinha encontrado sete pares de cartas, a mãe três, e o pai, que geralmente queria ganhar sempre, procurava constantemente no sítio errado.
Tentava alguns truques, pondo, sem ninguém dar conta, migalhinhas de pão em cima das cartas que tinha decorado, ou pousava as mãos na mesa, de forma a que o polegar indicasse a direcção em que estava uma determinada carta. Mas Neli descobriu-lhe a jogada. Jogaram mais duas ou três vezes e o pai não se zangou por perder sempre. Depois, ainda jogaram o jogo do assalto.
À meia-noite, o pai apagou a luz e ficaram a olhar pela janela. A neve reflectia uma luz clara e ouviam-se os sinos a tocar.
— A esta hora, há quase dois mil anos, nasceu Jesus — disse a mãe, e Neli reparou que, afinal, a mãe estava contente por ser Natal.
Ao ir para a cama, Neli disse:
— Este foi um Natal muito bonito.
— A sério? — perguntou a mãe, admirada. — Mas não houve ceia nem prendas quase nenhumas.
— Mas houve muito tempo — respondeu Neli.


Jutta Modler (org.)
Brücken Bauen
Wien, Herder, 1987
(Tradução e adaptação)

Via Clube de Contadores de Histórias

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Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
A nossa (não) contribuição para o ambiente

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Terça-feira, Dezembro 08, 2009
Convite/Desafio Natalício
O Raul Martins, do blogue Por Um Mundo Melhor, lançou-me o desafio que consiste em revelar um pouco de nós, em época natalícia, completando as frases que foram propostas. Aqui ficam as minhas respostas e, seguindo as regras, no fim, apresento os CINCO blogues que convido a responderem ao desafio.

1. Eu já... vivi Natais longe de alguns dos meus entes mais queridos, mas com toda a força do meu pensamento e do meu infinito amor a acompanhá-los.

2. Eu nunca... deixei de fazer uma árvore de Natal muito grande e bonita para alegria, primeiro das minhas filhotas, agora dos netos que tenho perto, nem nunca deixei de satisfazer o pedido ao Pai Natal das netas que estão longe.

3. Eu sei... que o Natal é para muitos uma histeria de consumismo, enquanto para muitos mais no mundo é fome e miséria como em todos os outros dias, sem que os 'senhores do mundo' cuidem de um Natal todos os dias para todos.

4. Eu quero... que minha mãe, com os seus 96 anos, ainda viva bastantes Natais na companhia da nossa família.

5. Eu sonho... com a paz, o progresso, a liberdade e a eliminação de qualquer forma de miséria ou de discriminação para toda a humanidade, independentemente de opções religiosas.





E agora, os meus convites para adesão a este desafio (por ordem alfabética dos autores dos respectivos blogues):





- Fátima André -
Revisitar a Educação


- Isabel Preto - Histórias con(m) Vida!


- Madalena Mendonça - Chora Que Logo Bebes


- Matias Alves - Terrear


- Miguel Pinto - outrÒÓlhar


-Teresa Marques - tempo de teia





[Desculpem a incapacidade de contar até cinco ;) ]

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Consertar o Mundo
A estória é conhecida, corre por email, mas acho importante não a esquecer...


clicar para ler

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Terça-feira, Dezembro 01, 2009
Um momento de beleza...
... numa interpretação ousada.

Nota: O vídeo tem apenas a segunda parte. Podem vê-lo mais completo
aqui, onde é pena faltar no título a referência de "Ballet Chinês".

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Domingo, Novembro 29, 2009
Earth Song - Michael Jackson.
(Li que o single nunca foi lançado nos EUA, mas não sei se é verdade)

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Sexta-feira, Novembro 27, 2009
Objectivo: eliminar parte da população mundial? Infelizmente, não me espanta!
Não sei se isto é totalmente verdade, mas estou convencida de que tem pelo menos algo de verdade. Sabemos que é preocupante o crescimento quase exponencial da população mundial, mas resolver o problema matando grande parte dessa população é diabólico.
E a influência e os interesses das grandes companhias farmacêuticas são terríveis.
Não deixem de ver o vídeo.

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Domingo, Novembro 22, 2009
O fascinante "número de ouro"
Sempre me fascinou essa proporção a que alguns chamam "divina", sobretudo por se encontrar por todo o lado na natureza.

[Ando a fazer um projecto no Scratch em partilha com o meu amigo e grande Scratcher Fred para mostrar ao menos dois exemplos dessa geometria na natureza- ele está a fazer o nautilus e eu estou a tentar fazer uma pinha mostrando as espirais que a formam (ainda não sei é se conseguirei, pois uma coisa é entender a matemática no papel, outra ainda complicadíssima para mim é aplicá-la no Scratch)]


A propósito, lembrei-me de deixar aqui dois exemplos, mas não na natureza (ambos quadros de Seurat). Porque todos (ou quase todos) os grandes pintores usaram essa proporção em que a razão é o "número de ouro" (número irracional, tal como o conhecido Pi).



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Sábado, Novembro 21, 2009
Que bom o YouTube fazer esta publicidade!
É a minha sugestão de prenda de Natal para pré-adolescentes e adolescentes que não tenham lido o Principezinho. (Para adultos também, mas que adulto dos nossos conhecidos não o terá lido?)

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Segunda-feira, Novembro 16, 2009
A Casa de nossos filhos ou netos - a Terra - em perigo
Recebi em pps como "premiado como o mais valioso pps de 2008" (autor não identificado) e converti em vídeo, pois é importante a sua divulgação e urgente a acção de TODOS.
(Decerto haverá no YouTube outros vídeos com o mesmo alerta)


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Domingo, Novembro 15, 2009
Descobrindo mais potencialidades pedagógicas do Scratch
Estou descobrindo como o Scratch também pode ser uma ferramenta incentivadora do gosto pela Matemática para os alunos mais velhos, do E. Secundário, sobretudo para aqueles que gostem da disciplina de EV ou gostem de projectos artísticos. Eu não tenho a mínima "veia" artística, mas vejo trabalhos lindíssimos no MIT.Edu programados mediante conhecimentos de Matemática, alguns avançados, mas outros não requerendo mais do que os que os alunos aprendem no E. Secundário (ou os professores se esforçam por que aprendam) - vale a pena uma visita aqui e aqui (não é precisa inscrição só para ver ou pesquisar, basta clicar no projecto que se quiser ver a funcionar).

É verdade que ainda não foi no projecto que publiquei hoje que me aventurei a tentar aplicar funções/equações, pois ainda sou quase principiante no Scratch, e há uma distância considerável entre saber no papel e saber aplicar no programa, mas este permite inclusivamente usar funções trigonoméricas e logatítmicas, embora com uma programação complicada na base da criação de diversas variáveis se se quiser fazer um projecto bonitinho.

No projecto que hoje acabei ainda só usei cálculos bastante simples no papel baseados apenas nos procedimentos para construção geométrica de certas curvas, mas já fiquei toda contente por ter conseguido no Scratch duas rosáceas e a conhecida (pelo menos entre o pessoal da mat) espiral de Fibonacci, que respeita a "razão áurea" - essa proporção mágica que existe tanto na natureza e é usada em muitas das grandes obras de arte (talvez em quase todas).

Penso que o meu projectozinho de hoje serve para mostrar como tanto os alunos do 2º ou do 3º ciclo podem usar, por exemplo, apenas a circunferência escolhendo raios e coordenadas de centros para obterem efeitos que, se calhar, alguns conseguirão mais bonitos dos que os meus, como podem os mais velhos apenas basear-se nas construções geométricas de outras curvas para as programar sem grande dificuldade no Scratch.


Clicar na imagem para ver o projecto e ligar o som:

Uma imagem do projecto onde se verá tenuamente o rasto do voo da borboleta
em espiral de Fibonacci
:


Nesta, como se vê, apenas arcos de circunferência
depois de completada a visualização do enchimento:


Nota: Os inscritos no MIT ou no Sapo Scratch que tenham o programa instalado podem fazer o download de qualquer projecto, o qual abre automaticamente no nosso programa permitindo vê-lo "por dentro", ou seja, como foi feita a programação (a fim de estudar procedimentos, não de copiar, claro).

__________

Adenda

Deixo aqui os meus parabéns à 3za (já lhos dei, mas repito) por o seu "Scratch Time" (clube para os alunos) estar entre os 50 finalistas (TOP50) de um concurso internacional 2009.

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Quarta-feira, Novembro 11, 2009
No me llames extranjero



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Terça-feira, Novembro 10, 2009
Flores do meu "jardim"
Entre aspas porque é um jardim na minha varanda. É bom ter flores, e eu tenho sempre, pois umas vezes são umas floreiras ou vasos que estão floridos, outras vezes são outros e... quando tal não acontece sou logo cliente do Horto do Campo Grande. ;)

Mas antes das minhas flores...


Para receber o orvalho
as flores abriram
as suas portas ao dia.

Albano Martins (*)

_______






__________

(*) Albano Martins (1995). Com as Flores do Salgueiro. Porto, Ed. Universidade Fernando Pessoa.

Imagem daqui

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Sábado, Outubro 31, 2009
Haikus (ou Haikais)
Entre os meus haikus preferidos estão os de Bashô. Hoje deixo uma pequenina colecção de haikus dele. (As "ilustrações" foram escolhidas por mim neste site de arte japonesa)


Ah este caminho
que já ninguém precorre
a não ser o crepúsculo


A nuvem atenua
O cansaço das pessoas
Olharem a lua



Por este caminho,
ninguém mais passa -
tarde de outono.

Extingue-se o dia
mas não o canto
da cotovia



Neste outono,
Como estou ficando velho!
Pássaros nas nuvens.

Não há arroz
mas tenho na malga
uma flor


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Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Hoje voltei aos bancos da escola ;)
Pois... Eu gosto muito de estar na situação de aluna. Gostei muito quando, em tempos, fiz um "curso pós-graduação" (entre aspas porque não sei se ainda se chama assim ou até se a modalidade ainda existe), tal como gostei muito quando fiz mestrado, então já avó. (Bem... não era assim tão velha, fui avó pela 1ª vez bastante cedo... lol).
Agora, é só um cursinho de um ano apenas com uma aula semanal, na SNBA, mas já várias pessoas me tinham dito que era muito interessante, pois o professor (por acaso meu amigo e também meu vizinho de prédio) dá-o de uma forma especial no modo como vai estabelecendo relações entre a pintura, por um lado, e outras formas de arte como o cinema e até a literatura. E esta primeira aula, hoje, até excedeu as minhas já boas expectativas.

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Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Continuando a brincar com o Scratch...

Scratch Project

Clicar na imagem e ligar o som

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Desejando a todos boa semana...
... hoje deixo apenas um pequeno poema.

Dir-se-ia de repente
O horizonte é mais vasto e generoso

O coração repousa
Um pouco

Distende as asas
Mas sem levantar voo


Alberto de Lacerda (1947- 2007)

(Via Amélia Pais)

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Domingo, Outubro 25, 2009
Mudou a hora...

Anoitece mais cedo —
As estrelas brilham
Sobre o campo seco.


Buson

  Suzuki Shonen

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Terça-feira, Outubro 20, 2009
Momento poético e musical
Poema:

Vem devagar sobre a corda da minha espera
ninguém saiu à rua mas há rosas
assim a tarde assim a mudança em disfarce

Demora-se a loucura e a camisa
e o teu corpo moreno espalha-se pelas ruas

Vem devagar
o sol teceu a tarde para o nosso encontro
o sol, caindo, insiste para que nos vejamos


Ossanha

Para acompanhar o poema:




Com o agradecimento à Amélia Pais

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Segunda-feira, Outubro 19, 2009
Uma manhã duplamente feliz
Feliz pela Teresa, pela sua dissertação de Mestrado, pelo Excelente bem merecido (nota rara em Mestrado, mas a Teresa também é rara, como a Teia tem mostrado desde que foi criada). Seria também excelente que muitos e muitos professores seguissem a Teia para serem contagiados pela magia da Teresa na arte de ensinar / fazer aprender e no amor pelos alunos.


Foto "roubada" do Terrear


Feliz também por ter finalmente conhecido o José Matias Alves no real (digo no "real", pois, para mim, já há muito era um amigo e eu sentia que o conhecia, apesar de só virtualmente)

Foto "roubada" do Aragem

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Quarta-feira, Outubro 14, 2009
Para reflexão, com Rubem Alves
O texto que se segue é um pequeníssimo extracto de uma conferência(*) de Rubem Alves que reproduzo por escrito ouvindo o DVD(**), pelo que há uns pequenos intervalos.

«O que nós temos nas nossas escolas é que as nossas escolas se parecem mais com linhas de montagem. (...). Quando a criança é aprovada por causa das notas, os burocratas assumem que elas aprenderam. Vocês sabem que elas não aprenderam. E porque é que vocês sabem que elas não aprenderam? Porque vocês mesmos as esqueceram. (...) Se os professores que preparam os alunos para os vestibulares forem fazer o exame, eles serão reprovados, porque cada um só será aprovado na sua própria disciplina. É duvidoso que o professor de Português vá resolver problemas de Física ou de Química. Então façam a seguinte pergunta: Se todos serão reprovados, por que é que os nossos pobres adolescentes têm que saber tantas coisas que serão totalmente esquecidas? Mas os burocratas não percebem isso. Eles pensam que se você passar no exame, você sabe. Não sabe, é mentira.
E pela burocracia o aluno é uma coisa vazia dentro da qual você tem que colocar um saber. Fico pensando na situação de vocês, que são professores de uma única disciplina. Eu sinto que vocês são como aqueles guias turísticos que todos os dias repetem... (...). E o que está acontecendo então é que os pobres professores são colocados num canal de repetições no qual desaparece toda a alegria de aprender as coisas novas. (...)

Um amigo meu (...) me contou que uma vez resolveu fazer uma brincadeira com os alunos. Ele pediu aos alunos que escrevessem numa folha de papel a pergunta que mais provocava a sua curiosidade. As perguntas eram do tipo: por que é que a água fervendo endurece o ovo e amolece a cenoura? (Vocês já pensaram nisso?); por que é que a chuva cai em gotas e não cai toda de uma vez? (Eu sempre tive terror de que a chuva caísse toda de uma vez); o que é que veio primeiro, o ovo ou a galinha? (... Esse é um problema racional muito sério, um problema lógico que estava colocado na pergunta da criança. As crianças são extremamente inteligentes); por que é que as pessoas boas morrem mais cedo?; por que é que há pessoas que não gostam de árvores?.
Perguntas das crianças. Aí ele pensou: se as crianças fazem perguntas tão maravilhosas, os professores, que já se formaram, alguns têm mestrado, eles terão perguntas muito mais maravilhosas do que essas. Então ele sugeriu aos professores que fizessem perguntas, as perguntas que perturbavam os professores. Aí, o professor de Geografia perguntou: onde fica o cabo...? (não consegui perceber o nome); o professor de História perguntou: qual é a data da batalha de Gualdalquivir?; (...) Ou seja, os professores, por causa do seu costume, feito pela burocracia, de andarem sempre nos mesmos caminhos, estavam cegos, eles haviam perdido a capacidade de ver porque eles só viam o programa que a burocracia havia colocado em cima deles. Então não é possível que a gente se sinta feliz. (...)
Queria sugerir a vocês que vocês tratassem de raspar as tintas com que a burocracia pintou vocês, que raspassem as tintas para recuperarem a coisa maravilhosa que é a experiência de ensinar.»

Rubem Alves termina assim esta conferência (da qual o extracto acima é quase no início):

«Há coisas úteis que precisam
de ser ensinadas. Mas todas as coisas úteis só têm um objectivo: tornar possível a beleza, a arte. E quando nós como professores nos descobrimos como aqueles que tornam possível o aparecimento da beleza, então nós nos sentimos bonitos, e então a gente funda a nossa banda de jazz(Destaque meu)
_______
* Conferência promovida pela Asa pela mão do JMA (Maio de 2003).
** DVD que é para mim uma preciosidade que o JMA teve a grande gentileza de me oferecer.

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posted by IC @ Quarta-feira, Outubro 14, 2009   1 comments

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Terça-feira, Outubro 06, 2009
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti


Com o agradecimento à Amélia Pais

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posted by IC @ Terça-feira, Outubro 06, 2009   4 comments

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